Episode 78

COMO FUNCIONA A MENTE SOMBRIA DOS ASSASSINOS EM SÉRIE - Rubens Correia Jr.

RUBENS CORREIA JÚNIOR, especialista em criminologia e autor da obra que intitula este episódio, nos convida a embarcar em uma jornada pelos caminhos sombrios da psique humana, buscando desvendar o enigma que é a mente de um assassino em série.

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Transcript

ANFITRIÃO 0:07

Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! No conteúdo de hoje, vamos explorar os recantos mais sombrios da mente de homicidas em série! Nesta enigmática jornada, tenho a honra de receber Rubens Corrêa Júnior, autor do livro "Serial Killers: Como Funciona a Mente Sombria dos Assassinos em Série.", que nos guiará com suas respostas, esclarecendo como a Ciência, pela Criminologia, Psicanálise e Psicologia Forense, interpreta e explica comportamentos desses criminosos.

Dando-lhe as boas-vindas e agradecendo a sua participação, Rubens, pode contar um pouco sobre você e sua jornada neste fascinante campo da criminologia e psicologia forense?

CONVIDADO 1:22

Bom dia! Boa tarde! Boa noite e a todos que nos escutam! É um prazer estar aqui com Washington clark dos Santos, falando para vocês um pouquinho da minha carreira. Falando um pouquinho para vocês da minha história. Na verdade, minha história aconteceu há mais de duas décadas atrás, quando fiz a faculdade de Direito, concluí a faculdade de Direito e fui para a área criminal e comecei a desenvolver o trabalho direcionado ao Penal e, principalmente, ao crime. Vi a necessidade de conhecer um pouquinho mais da mente dos criminosos e do comportamento violento, E aí fui para a área de criminologia e depois me encontrei na área de psicanálise. Fiz o meu mestrado e doutorado também nas áreas correlatas à psiquiatria. E nesse tempo, principalmente nos últimos 15 anos, eu acabei me especializando no comportamento violento e na análise criminológica e psicanalítica dos crimes, principalmente bárbaros. Os homicidas em série, estupradores em séries e também os pedófilos, são a minha base de trabalho. Nesse tempo, entrevistei quase uma centena de pessoas e escrevi algumas obras e sou tradutor de obras de psicanálise do espanhol para o português aqui no Brasil. Além disso, sou também membro honorário da Associação de Investigadores Forenses do México. Sou coordenador de cursos na área de Direito e também professor de pós graduação, não só aqui no Brasil, como também professor de mestrado no México. Mais ou menos essa a minha vida acadêmica. É mais ou menos sobre isso que eu trabalho.

ANFITRIÃO 3:16

Qual foi a principal motivação para escrever este livro e como a criminologia influenciou sua abordagem na exploração da mente desses assassinos?

CONVIDADO 3:29

Criminologia influenciou principalmente com relação à criminologia crítica e também a criminologia psicanalítica, dando um viés mais humanista na configuração da pesquisa. Porque, no nosso entendimento, esses homicidas eles não são monstros. São humanos. E por ser humano, a questão ainda é mais surpreendente! Como seres humanos, como pessoas muito semelhantes a nós no convívio, no cotidiano, e que têm famílias que muitas vezes têm filhos, esposas, cometem atos tão atrozes no seu dia a dia? Então, essa banalidade do mal, essa naturalização da violência, foi o que nos chamou a atenção para escrever essa obra e, principalmente, para tentar entender a raiz deste comportamento. E aí nós trouxemos muito a psicanálise ligada à criminologia para compreender as estruturas comportamentais desses indivíduos e também de como a sociedade criminógena pode ser impactada e impactar o comportamento desses sujeitos homicidas em série. Ao decidir escrever essa obra há muitos anos atrás, essa, sem dúvida, foi a nossa perspectiva.

ANFITRIÃO 5:00

Como a psicologia forense contribui para entender as complexidades da mente de um assassino em série?

CONVIDADO 5:09

Na verdade, eu digo que o fenômeno do homicídio em série deve ser analisado na transdisciplinaridade, porque é um fenômeno muito complexo que exige então conhecimentos de várias áreas, não só da criminologia, da psicologia, como a física, química, todos em prol da descoberta da autoria do crime e, depois de descoberta a autoria do crime, a descoberta das motivações e, principalmente, das questões simbólicas relacionadas ao ato de matar. E nessa interseção, sem dúvida nenhuma, a psicologia forense, ela é de suma importância, porque são exatamente esses profissionais que podem traçar um perfil fidedigno do indivíduo que comete atos em série, tentando assim que futuramente a gente possa prevenir também determinados atos e possa entender melhor, inclusive, fortalecer, a empoderar as vítimas desse crime! Então, hoje, eu não consigo ver a solução de casos de homicidas em série sem uma transdisciplinaridade entre os profissionais e a psicologia. Ela atua diretamente, nesse caso, pelo estudo do comportamento violento. Portanto, os nossos amigos psicólogos são essenciais para desvencilhar dos nossos obstáculos dentro de uma investigação!

ANFITRIÃO 6:45

Ao estudar os casos, qual aspecto mais surpreendeu você em relação aos padrões de comportamento desses assassinos?

CONVIDADO 6:57

Com relação a homicidas em série, realmente, nós temos padrões muito definidos hoje pela literatura que divide os homicidas em organizados e também homicidas desorganizados. Realmente, esses padrões são muito confiáveis para que você estabeleça um perfil a longo prazo desses indivíduos e, principalmente, faça uma perfilação - "profile"-desses indivíduos. Quando me perguntam qual o aspecto que mais me surpreendeu, diz respeito a qual aspecto sai desse modelo estabelecido já pelo FBI e pelos estudos consolidados sobre o comportamento humano. O que me surpreende muito são os indivíduos acima de qualquer suspeita. Aqueles indivíduos que têm um verniz social muito bem estabelecido, aqueles indivíduos atraentes, aqueles indivíduos populares e que, na vida íntima e que na vida criminosa, conseguem manter uma dualidade deste "Eu-social" e, enquanto criminoso, totalmente perverso, totalmente violento! Isso é muito comum nos homicidas em série, chegando inclusive às questões ritualísticas, ao canibalismo e, quem olha de fora, é o cidadão acima de qualquer suspeita! Sem dúvida nenhuma, isso é o que mais me surpreende e surpreendeu no estudo de mais de oito dezenas de homicidas que nós fizemos nesses mais de uma década de pesquisa!

ANFITRIÃO 8:45

Qual é a importância de considerar fatores sócioculturais ao analisar a gênese da intenção assassina?

CONVIDADO 8:56

Na verdade, hoje, nós não podemos pensar em analisar o comportamento violento sem refletir a respeito das questões sócioculturais. Hoje, os estudos mais modernos levam ao entendimento do comportamento violento como multifatorial, como plurifatorial e, sendo multifatorial, os valores e os fatores sócioculturais não devem ser desprezados. Então, temos que analisar os fatores econômicos, temos que analisar os fatores biológicos, os fatores psicológicos, os fatores individuais de cada sujeito, específicos e subjetivos, mas, não podemos desprezar os fatores sócioculturais! Isso porque cada sociedade vai se desenvolver a respeito dos fenômenos criminosos de maneiras muito distintas. Uma sociedade patriarcal, uma sociedade machista como a que nós estamos inseridos aqui em Latinoamérica, sem dúvida nenhuma, há uma profusão de crimes contra as mulheres, de estupros, de abusos, de violência doméstica. Por que isso existe? Se existe simplesmente porque o indivíduo decidiu bater ou agredir a sua esposa? Não podemos ser ingênuos a tentar analisar essas questões apenas como livre arbítrio, como os clássicos no século XVIII faziam! Não é apenas uma força do livre arbítrio, mas sim há uma potencialidade aí dentro de uma cultura estabelecida. O racismo estrutural também leva ao país ser um dos recordistas da morte de pardos, negros, periféricos! Isso não tem nenhuma relação? Obviamente que tem! Então, quando formos analisar os crimes, nós temos que analisar em que sóciocultura esse indivíduo criminoso, vitimizador estava incluído. Sempre lembrando que os fatores sócioculturais, os fatores econômicos, os fatores biológicos são, sim, uma explicação para o crime mas, nem por isso, justificam o crime do ponto de vista penal. Então, é sempre bom falar aos ouvintes isto: o Criminólogo explica o crime. Mas, ele não o justifica! Não quer dizer que: nós temos fatores sócioculturais, o indivíduo não deve responder pelo que ele cometeu! Na verdade, na psicanálise, o indivíduo é sempre responsável pelo seu ato e deve ter a sua reflexão e ter a sua resposta frente ao direito penal. Muito importante pontuar essa parte!

ANFITRIÃO:

Meu caro; é comum a vinculação, na estatística, entre eventos traumáticos na infância e o desenvolvimento de assassinos em série?

CONVIDADO:

Como nós tratamos aqui com Ciência, esse programa, aqui o objetivo é falar da Ciência, nós não temos artigos científicos, pesquisas e estudos inquestionáveis e robustos no sentido de falar de maneira afirmativa a respeito disso! Consolidar uma resposta aqui, falar assim: "homicidas em série estão amplamente ligados a eventos traumáticos na sua infância." Não há estudos robustos nesse sentido! No entanto, nós podemos, sim, afirmar que homicidas em série, muito famosos, que têm as suas histórias consolidadas nos anais da criminologia, como Theodore Bundy, como Albert Fisch, como Ed Kemper, entre outros, tiveram sim alguns eventos que podemos classificar como traumáticos na sua infância e um desenvolvimento afetivo muitas vezes complexo entre a passagem da infância e a adolescência. Uma coisa que podemos falar é o seguinte: sem dúvida nenhuma, principalmente a primeira infância, é uma época de formação da personalidade, do caráter das pessoas, e qualquer evento traumático, principalmente violento, pode impactar, sim, essa pessoa pelo resto da vida! Mas, não necessariamente, pessoas com eventos traumáticos se tornarão homicidas em série! Volto a dizer aos nossos ouvintes: não existe uma fórmula de identificação para entender a criação de homicidas em série! É plurifatorial, multifatorial, como eu sempre digo! Portanto, não há fórmulas exatas para que a gente chegue a essa ideia e conclusão. Então, não podemos afirmar cientificamente mas, vale a pena proteger, principalmente a nossa primeira infância, para evitar sujeitos adultos traumáticos e com histórias que impactam durante toda a vida.

ANFITRIÃO:

Em que medida os profissionais da criminologia e da psicologia forense podem auxiliar na investigação de crimes em série e como a tecnologia moderna afeta tal apuração?

CONVIDADO:

Os profissionais Criminologia e Psicologia Forense, sem dúvida nenhuma, a nossa Polícia Judiciária, a nossa polícia responsável pela investigação -quando eu falo nossa, do Brasil, especificamente mas, pode ser, também, considerado todo o mundo- tem que contar com profissionais -inclusive, aqui no Brasil,eu até já falei sobre isso- há uma necessidade de se criar cargos de criminólogo forense e psicólogo forense, alastrar esses cargos na polícia judiciária brasileira e no Judiciário, para que se tenha um apoio técnico na investigação de crimes, para que se saiba o perfil comportamental dos indivíduos que estão relacionados com atos criminosos, que vai muito além de uma investigação simplesmente de uma cena de crime ou de apuração de autoria de um fato. Vai muito além! E hoje, com relação à apuração de crimes, a tecnologia moderna, ela influencia totalmente! O mapeamento genético, por exemplo, influenciou toda investigação criminal no mundo, principalmente nas últimas duas décadas, da questão não só de exames, mas também a questão de leitura da cena de crime. A questão hoje da inteligência artificial tende a impactar e impactar de maneira benéfica, embora eu sempre digo, a tecnologia não é nada sem ser guiada por competentes profissionais humanos que devem gerenciar e direcionar essas tecnologias. Sem dúvida nenhuma, só temos a ganhar com ela!

ANFITRIÃO:

Quais são os fatores mais influentes na formação da personalidade de um homicida em série? Existem características comuns na personalidade deles que você destacaria?

CONVIDADO:

O homicida em série, a formação dele é multifatorial e sendo multifatorial, é difícil você destacar fatores específicos, características de personalidade. O que nós podemos destacar é que grande parte dos homicidas em série, principalmente os mais famosos, eles se destacam por terem traços psicopáticos. Eu não costumo falar em psicopatia, porque esse termo ele é muito estigmatizado e pouco científico, mas, traços psicopáticos como a falta de afetividade, a ausência de remorso, o verniz social, a objetificação das pessoas ao seu redor nós podemos considerar características que são mais comuns aos homicidas em série. Se fosse destacar, talvez destacaria então essas.

ANFITRIÃO:

Em sua pesquisa, como você abordou o equilíbrio entre entender a mente do assassino e evitar glamourizar seus crimes?

CONVIDADO:

Muita gente me pergunta a respeito da glamorização do crime. Eu sempre falo o seguinte na nossa pesquisa, que é uma pesquisa científica, nós temos como objetivo explicar esses crimes e não justificar esses atos. E eu posso então acrescentar aqui, muito menos, glamourizar esses fatos! Essa questão da glamorização, essa questão da potencialização do serial killer a ídolo tem muito a ver com a nossa pulsão por morte, a pulsão irrefreável, inconsciente que nós temos pela morte! Então, o homicida, o serial killer, acaba despertando uma admiração inconsciente em algumas pessoas que veem naquele indivíduo alguém que ultrapassou o que nós tanto tememos, que é a morte, aquele que vai além da morte do ponto de vista simbólico. Nós temos situações como a hibristofilia, que é uma parafilia ligada ao desejo sexual pelo cometedor do crime. Mas, isso acontece porque existe essa pulsão também, esse desejo pelo que quebra regras. Então, o homicida em série, ele é o suprassumo do indivíduo que quebra regras. É comum nós termos essa glamorização mas, infelizmente, temos que trabalhar contra ela, uma vez que a morte de outro ser humano nunca deve ser usada para alimentar a mídia, para alimentar a curiosidade alheia, mas sim, deve ser vista como uma preocupação e um problema de segurança pública, da criminologia e da psicologia!

ANFITRIÃO:

Meu caro; quais são os principais mitos ou equívocos que as pessoas têm sobre assassinos em série que você procurou desmistificar na tua obra?

CONVIDADO:

Nós podemos falar com relação a isso, que são exatamente o seguinte: não achar que existe um modelo para identificar homicidas em série, não achar que esses homicidas são monstros e pessoas destituídas da humanidade, no sentido mais amplo da palavra. Não! São seres humanos que nasceram de uma mulher, que cresceram numa sociedade, que muitas vezes demonstraram afetividade por alguns ao longo da vida, que se casaram, que tiveram empregos e que estão, muitas vezes, do nosso lado, como os nossos vizinhos, como o nosso companheiro de trabalho. Então, muita gente acha que esses homicidas são reclusos, são pessoas agressivas no seu cotidiano ou são aqueles traços psicopáticos característicos do cinema, que são aquelas pessoas totalmente dissimuladas, são aquelas pessoas perversas nas mínimas situações e o que não é verdade! Muitas vezes essas pessoas podem passar uma imagem de total coletividade, pode passar uma imagem de total carinho para com as pessoas que o cercam e, no fundo, serem grandes homicidas! Às vezes, se intitularem pessoas de bem, pessoas bacanas e na verdade não ser! Então, eu acredito que desmistificar a entender que qualquer pessoa pode matar outra pessoa e, o homicida em série, é o suprassumo dessa ideia! Então, não há perfil que possa alcançar a todos, não há característica que possa alcançar a todos! Não há um modelo que nós possamos aplicar a todo comportamento. Então, pode estar do seu lado, pode estar na sua frente, pode estar na sua família, enfim, pode estar em qualquer lugar!

ANFITRIÃO:

Qual a importância da análise geográfica na investigação de crimes em série, como o discutido em seu livro?

CONVIDADO:

Hoje, a análise geográfica talvez seja uma das principais ferramentas para se descobrir um homicida em série. Porque a posição em que nós encontramos a vítima dentro de uma determinada área pode ser essencial para que a gente descubra se se trata de um homicida característico, um homicida em série clássico -o que nós vamos chamar de organizado- ou um desorganizado. Que, dependendo do perfil, os desorganizados, eles atacam pessoas mais próximas da sua base residencial. Os organizados atacam um pouco mais distante, mas tem outras várias regras e exceções também! Então, a análise geográfica é, hoje, a principal ferramenta para perfilar no início da investigação. Então, tudo deve partir da análise geográfica. Posteriormente, é que nós vamos analisar outras situações com relação ao evento.

ANFITRIÃO:

Como o estudo de casos específicos pode ajudar na prevenção e também na elucidação de crimes em série?

CONVIDADO:

Dentro da Ciência você parte, muitas vezes, de uma situação específica para tentar entender o todo. Na criminologia voltada a homicidas em série, é a mesma coisa. Você tenta fazer o levantamento do maior número de homicidas em série para descobrir padrões, para descobrir, características, para descobrir situações que se repetem nos vários fenômenos homicidas que acontecem. Uma vez descobrindo esses padrões, nós podemos então aplicá-los com relação aos próximos, com relação aos casos também ainda não solucionados. Então, os padrões descobertos pela Ciência são muito importantes para que a gente possa também prevenir a potencialização de novos criminosos!

ANFITRIÃO:

Rubens, como você vê o papel da mídia na representação de assassinos seriais e seu impacto na percepção pública?

CONVIDADO:

Eu acredito que o papel da mídia seja definitivamente um papel informativo. No entanto, a mídia muitas vezes passa desse papel informativo para ser um papel de potencialização da notícia, um papel que beira o entretenimento! Mas, eu acredito que a mídia só faz esse papel porque o consumidor da mídia, que somos nós, desejamos as notícias glamourizadas! A mídia, na verdade, nada mais é do que fruto dessa própria sociedade da espetacularização da morte, da espetacularização da catástrofe, da espetacularização do crime! Então, se a gente quer mudar a mídia, temos que mudar também a sociedade! Temos que nos mudar, temos que mudar a todos para que a gente se adeque a uma nova situação, onde a morte de outras pessoas, a violência, não seja um critério de mercado. Não seja um produto nas prateleiras do mercado como hoje, muitas vezes, é! Por isso, a mídia glamouriza! Porque dá audiência! Então, nós temos que refletir é: como fazer para que a gente mude a sociedade e essa audiência não seja mais dada a notícias tão ruins relacionadas a morte, violência!

ANFITRIÃO:

Você pode compartilhar uma experiência pessoal ou o desafio que enfrentou ao realizar a pesquisa para o livro?

CONVIDADO:

Realmente, não me lembro de nenhum fato especificamente que me levou a essa questão, mas, sim profissionais! Tive contato com bons profissionais, principalmente professores de direito penal, professores relacionados a psicanálise e a criminologia, que me incentivaram e me aguçaram a curiosidade para saber dos comportamentos violentos, principalmente na perspectiva da criminologia e da psicanálise, principalmente vinculando fora do clichê que é o entendimento do criminoso, do vitimizador. Então, eu agradeço, mais, aos profissionais que eu tive contato, principalmente professores, mas não um fato específico.

ANFITRIÃO:

Como a compreensão dos padrões de comportamento dos assassinos seriais pode ser aplicada na prática forense e investigativa?

CONVIDADO:

Nós podemos afirmar que tais padrões podem ser utilizados principalmente no chamado "profiler" ou no "Criminal Profiler", ou o que nós também denominamos de perfilamento criminológico, que deve ser aplicado nas investigações preliminares e ajuda e auxilia na descoberta, principalmente das autorias de crimes violentos. Também ajuda na pós investigação, depois de termos a certeza de quem é o autor, para traçar padrões desse indivíduo e daí criar políticas de prevenção ao criminalidade a partir dos padrões estabelecidos nas pesquisas sobre comportamento, tendo como base, no meu caso, a criminologia e, também, a psicanálise. Então, as investigações, hoje, eu não consigo vislumbrar que elas caminhem sem a participação de criminólogos forenses, sem a participação do psicólogo, sem a participação de psicanalistas e toda uma rede de apoio investigativo que cuida da padronização e perfilamento desses indivíduos que praticam o comportamento violento.

ANFITRIÃO:

Você acredita que há algum tipo de perfil psicológico comum entre serial killers de diferentes culturas?

CONVIDADO:

Com certeza! Embora a questão social, a questão cultural, a questão econômica tenha grande impacto na análise e, como sempre eu estou reforçando aqui no nosso programa, que devemos ter em conta a questão multifatorial da formação do fenômeno criminoso, embora tenhamos sempre em mente todos esses aspectos, é inegável que tem como traçarmos pontos em comum no perfilamento dos serial killers que devem ser usados em qualquer país do mundo. Os padrões de "organizado", "desorganizado", por exemplo, são padrões que podem ser usados tanto numa cultura oriental quanto numa cultura ocidental. Tanto numa cultura urbana quanto rural! Então, eu acredito que nós devemos fazer o equilíbrio entre as questões sociais, culturais de cada região e alguns padrões gerais que nós conseguimos estabelecer dentro desses fenômenos criminosos.

ANFITRIÃO:

Caríssimo, caminhando para o final de nossa conversa, repriso os meus agradecimentos, te parabenizo pela obra e desejo grande sucesso! Deixo este espaço para suas considerações finais. Forte abraço!

CONVIDADO:

Meu querido amigo, foi um prazer participar deste programa junto com você! Peço que os seus ouvintes, se quiserem, me sigam no instagram @rubenscorreiajr, lá no inbox, podem conversar comigo, sempre, à vontade! Acompanhem meu trabalho, os meus cursos, palestras pelo Brasil e também pelo mundo, que eu estou sempre a disposição de uma troca de idéias e também de um bom debate! Eu agradeço a oportunidade e peço desculpas pela celeridade das respostas, às vezes, por causa do tempo e da correria do dia a dia! Mas, se quiserem saber mais coisas, temos os nossos livros, temos as nossas redes sociais. Estão sempre à disposição. Obrigado, obrigado e até mais!

ANFITRIÃO:

Honoráveis Ouvintes! Este foi mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! No conteúdo de hoje, conversei com Rubens Corrêa Júnior, autor do livro "Serial Killers: Como funciona a mente sombria dos assassinos em série." Quer saber mais sobre este episódio? Acesse www.hextramurospodcast.com! (H). Confira os links de pesquisa e compartilhe nosso propósito! Será um prazer ter a sua colaboração! Pela sua audiência, muito obrigado e até a próxima!

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Washington Clark Santos

Produtor e Anfitrião.
Foi servidor público do estado de Minas Gerais entre 1984 e 1988, atuando como Soldado da Polícia Militar e Detetive da Polícia Civil.
Como Agente de Polícia Federal, foi lotado no Mato Grosso e em Minas Gerais, entre 1988 e 2005, ano em que tomou posse como Delegado de Polícia Federal, cargo no qual foi lotado em Mato Grosso - DELINST -, Distrito Federal - SEEC/ANP -, e MG.
Cedido ao Ministério da Justiça, foi Diretor da Penitenciária Federal de Campo Grande/MS, de 2009 a 2011, Coordenador Geral de Inteligência Penitenciária, do Sistema Penitenciário Federal, de 2011 a 2013.
Atuou como Coordenador Geral de Tecnologia da Informação da PF, entre 2013 e 2015, ano em que retornou para a Superintendência Regional em Minas Gerais, se aposentando em fevereiro de 2016. No mesmo ano, iniciou jornada na Subsecretaria de Segurança Prisional, na SEAP/MG, onde permaneceu até janeiro de 2019, ano em que assumiu a Diretoria de Inteligência Penitenciária do DEPEN/MJSP. De novembro de 2020 a setembro de 2022, cumpriu missão na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, no Ministério da Economia e, posteriormente, no Ministério do Trabalho e Previdência.
A partir de janeiro de 2023, atua na iniciativa privada, como consultor e assessor empresarial, nos segmentos de Inteligência, Segurança Pública e Tecnologia.