INSURGÊNCIA CRIMINAL NA REGIÃO AMAZÔNICA. CAPÍTULO 2
Depois de entendermos os impactos diretos da insurgência criminal sobre as comunidades e sobre a atividade policial na Amazônia, avançamos agora para o segundo bloco desta conversa, com o SGT ALLISON CARVALHO, da PMAM, no qual vamos abordar os desafios estruturais, operacionais e tecnológicos enfrentados pelas forças de segurança no enfrentamento a essas organizações criminosas que atuam de maneira híbrida e sofisticada na região.
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Transcript
Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião!
Depois de entendermos os impactos diretos da insurgência criminal sobre as comunidades e sobre a atividade policial na Amazônia, avançamos agora para o segundo bloco desta conversa, no qual vamos abordar os desafios estruturais, operacionais e tecnológicos no enfrentamento a essas organizações criminosas que atuam de maneira híbrida e sofisticada na região.
Retomando nossa conversa - depois de entender os impactos - precisamos olhar para as dificuldades concretas que as forças de segurança enfrentam no terreno. Dificuldades que vão desde logística até ausência de políticas estruturadas.
Sargento Alisson; em que medida a escassez de infraestrutura, a pálida integração entre as forças e o baixo apoio governamental impactam o combate à expansão de organizações criminosas na região e se tornam mais desafiadores aos policiais que atuam na região?
CONVIDADO:O grande problema que nós enfrentamos aqui na Amazônia - e sempre vamos enfrentar - é a situação da extensão territorial! Eu creio que essa falsa integração das forças - não só entre polícia civil e militar - mas, as Forças Armadas, no qual obtém dessa tecnologia, dessa estrutura de cobertura, eu creio que realmente haveria uma grande mudança de presença do Estado nesses locais de difícil acesso! Pude observar, por uma visita institucional ao Centro de Georreferenciamento do Exército e, lá, realmente existe uma carta no qual são guardados dados referentes àquelas localidades. Entretanto, a polícia militar não tem acesso e, muito menos, a polícia civil! E isso, creio que se fosse utilizado de uma forma conjunta, para que as Forças Armadas, com seu grande efetivo, pudessem fazer-se mais presentes, juntamente com as forças policiais locais, com certeza teríamos bons resultados, na qual a comunidade iria perceber a presença do Estado e ia se sentir mais segura a quem recorrer! A gente verifica que, a longo prazo, operações, principalmente das Forças Armadas, elas são muito locais! Se você verificar alguns dados estatísticos, as apreensões de entorpecentes e as bases que nós temos espalhadas por todo o estado das Forças Armadas, principalmente do Exército Brasileiro, a apreensão é muito baixa referente à nossa necessidade! As forças policiais atuam de uma forma sem equipamentos necessários, com armamentos incompatíveis ao dos criminosos, efetivo com cidades com trinta mil habitantes, para dois policiais para cobrirem essas diversas áreas! Realmente, se torna um serviço impossível e aquela desvalorização da atividade naquele policial que se expõe a todo instante acaba acarretando um grande prejuízo social! Creio que essa interação e a integração das forças, realmente, tanto na parte tecnológica quanto na parte repressiva, é super interessante para a gente ter bons resultados!
ANFITRIÃO:O terreno amazônico impõe dificuldades naturais às operações de segurança. como a geografia da região impacta as estratégias de combate a esses grupos e de que forma entendes que a tecnologia pode reverter tais obstáculos?
CONVIDADO:Muito bem exposto em suas perguntas, em relação ao terreno e a geografia que nós enfrentamos aqui na Amazônia! São grandes extensões florestais e hidrográficas, na qual dificulta bastante! Ainda, temos as situações na época de cheia, que somem diversos "furos" e aparecem diversos "furos de rio". E, na época da seca, realmente existem outras vias de acesso que são desconhecidas até pelos próprios moradores ribeirinhos ali das áreas! Isso dificulta bastante a efetivação do serviço mas, o Exército Brasileiro, no qual tive a oportunidade de participar de algumas instruções no Centro de Georreferenciamento, obtendo a tecnologia para a gente fazer esse trabalho de forma conjunta, creio que a gente precise fortalecer esses vínculos em relação a informacionais, trocar informações entre as forças de repressão, as forças sociais, as forças comunitárias, as forças judiciárias, para que a gente consiga entender a dimensão do problema e não cada um dar uma solução e agir de forma isolada como uma venda de um serviço que a população em si não consegue sentir essa diferença e acaba perdendo a confiança no poder do Estado em resolver o problema!
ANFITRIÃO:A infiltração de grupos criminosos em estruturas governamentais é um fator crítico e já constatado também na região. Como isso afeta o enfrentamento à insurgência?
CONVIDADO:base, em relação às pessoas que estão ligadas diretamente ao transporte, mas também é muito notório ver em reportagens jornalísticas em relação ao aliciamento de entes políticos em locais estratégicos! Aqui no Amazonas tivemos algumas operações no qual juízes foram afastados e, por incrível que pareça, por mais imoral que seja, eles foram aposentados compulsoriamente por um crime de estar vendendo sentença em relação a uma facção criminosa. São coisas absurdas que, a longo prazo, vai se perdendo a essência do Estado e vai se dando mais notoriedade para as leis - por mais que sejam brutais - do crime organizado, mas, acaba sendo eficazes, como uma segurança no local, como a justiça por acontecer algum roubo e eles proibirem que aconteçam roubos naquele local. Então, a sensação de segurança repassada pelo crime organizado, muitas vezes, acaba sendo mais eficaz do que é pelo Estado, pelo alto índice de corrupção! Por mais ridículo que seja, mas, as pessoas preferem solucionar seus problemas do que esperar a burocracia do Estado para que resolva de uma forma legal! E isso é a realidade das ruas - isso não é a minha vontade! Claro que gostaria muito que o Estado sempre mantivesse com a ordem e com os valores resguardados, mas, entretanto, o crime organizado trabalha dessas diversas vertentes para que coloque em prática e tenha eficácia no seu serviço em relação à economia do crime organizado no qual é gerada.
ANFITRIÃO:O Brasil possui cooperação internacional na segurança da Amazônia, especialmente no combate ao narcotráfico e crimes ambientais. Acreditas que essas parcerias resultam eficazes atualmente?
CONVIDADO:Em relação à cooperação internacional, infelizmente, o que está escrito no papel é muito diferente da realidade sentida pelas comunidades que vivem nessas localidades, na qual o escoamento de grande quantidade desses entorpecentes acontece, principalmente nas comunidades que são próximas à fronteira! Pude observar, em diversas operações que fizemos nos municípios fronteiriços ou nas grandes calhas de rios, que as pessoas não têm essa confiabilidade no serviço - não só policial - mas, no Estado como um todo! A gente verifica que as forças policiais, tanto internacionais como nacionais, acabam falhando nessa cooperação! Então, se a gente observa uma grande falha interna entre comunicação, por exemplo, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal, quem dirá uma cooperação entre os entes internacionais, que têm suas regras próprias e tem uma outra dinâmica como execução dos serviços públicos? Verifica-se que precisamos evoluir nesse quesito, com certeza, para que tenha efetividade nas ações policiais, nas sentenças judiciais, para que a gente consiga ver realmente "in loco" que a população sinta, de verdade, a sensação de segurança mais do que necessária! Volto a dizer: no município de Tabatinga tem um grande batalhão da Polícia Militar, mas um batalhão com cento e poucos policiais, distribuído em seis, sete municípios do Alto Amazonas. Isso é um efetivo pequeno que, é praticamente de exclusividade da Polícia Militar, resolver problemas internacionais sobre o tráfico de drogas internacional! Temos base da Polícia Federal lá, entretanto, com efetivo de dois policiais federais! Então, existe um pacto e uma cooperação fictícia, que precisa ser mais levado a sério, porque o problema na Amazônia está aumentando - não somente para o Amazonas ou para o Pará, os estados da região amazônica - mas, acho que para a nação inteira como um todo, porque esses entorpecentes estão só se alimentando e a renda gerada aqui na Amazônia com esse crime organizado, com certeza se estende a outras federações, ao fortalecimento do crime de armamentos, cooptação de entes públicos, de pessoas públicas para que sejam beneficiadas!
ANFITRIÃO:Retornando ao tema de tecnologias, de que formas o efetivo que atua na Amazônia pode ser dotado de ferramentas que o capacite para melhor realizar o controle de tão extensa fronteira?
CONVIDADO:Creio que a principal saída tecnológica para que a gente consiga um serviço mais eficaz seja a integração das forças, diretas ou indiretas, do sistema de segurança pública. A gente verifica que a polícia militar local, estadual, ela não detém de certas tecnologias que a polícia federal detém ou que o Exército Brasileiro detém! Então, precisamos fazer essa interação e a integração dessas tecnologias para que o policial que esteja ali ou o homem que esteja no campo de batalha, realmente, participando no ambiente desses - tão nocivo - não sofra tantos efeitos colaterais e a sociedade também não sobra tantos efeitos colaterais relacionados ao combate, observando no Rio de Janeiro, que existem a partir do momento que o Estado perde aquele poder sobre aquele local - que acontece nas favelas - quando existe manifestação policial ou manifestação do Estado em aplicação de algum serviço, existem efeitos colaterais: as escolas param! Os hospitais param! Toda uma estrutura pára e, isso, vai gerando mais desconforto e desconfiança do serviço que está sendo prestado que, a longo prazo, foi negligenciado e hoje, após um longo prazo, foi efetivado, mas, não trouxe um resultado positivo a pequeno prazo. E, claro, isso a longo prazo é bem latente e bem evidente que a população vai perdendo a confiança nos serviços!
ANFITRIÃO:Sargento Alisson; excelente explanação! A realidade que apresentas sobre os desafios logísticos, operacionais e tecnológicos na Amazônia deixa evidente que estamos diante de um cenário que exige muito mais do que força física ou presença institucional! Requer inteligência, integração e uma compreensão profunda do território!
Honoráveis Ouvintes! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! Faremos agora uma pausa estratégica, visando a reflexão sobre a complexidade desse enfrentamento, desde as características geográficas da região até o uso estratégico de tecnologias contemporâneas que podem redefinir o combate à insurgência criminal na região. No trecho final, na próxima semana, vamos desbravar as estratégias concretas, o que já funcionou, o que precisa ser aprimorado e como o futuro da segurança pública na Amazônia pode ser redesenhado. Acesse nosso website e saiba mais sobre este conteúdo! Inscreva-se e compartilhe nosso propósito! Será um prazer ter a sua colaboração! Pela sua audiência, muito obrigado e até a próxima!