Sistema Penitenciário Federal - Inovação, Valorização e Novos Horizontes.
O combate ao crime organizado exige muito mais do que estruturas físicas seguras. Hoje, proteger o sistema prisional significa integrar inteligência, análise de dados, tecnologia, capacitação permanente e valorização das pessoas responsáveis por essa missão. Nesse cenário, a Polícia Penal Federal assume papel cada vez mais estratégico para a segurança do Estado brasileiro. Neste episódio, vamos concluir nossa trilogia com MARCELO STONA, Diretor da Polícia Penal Federal.
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Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião!
O combate ao crime organizado exige muito mais do que estruturas físicas seguras.
Hoje, proteger o sistema prisional significa integrar inteligência, análise de dados, tecnologia, capacitação permanente e valorização das pessoas responsáveis por essa missão.
Nesse cenário, a Polícia Penal Federal assume papel cada vez mais estratégico para a segurança do Estado brasileiro.
Neste episódio, vamos concluir nossa trilogia com o Marcelo Stona, Diretor da Polícia Penal Federal, mirando para o futuro.
Diretor Stona; a Polícia Penal Federal consolidou-se como uma instituição altamente especializada. Como avalias a evolução da identidade profissional dos policiais penais federais e quais avanços ainda consideras necessários para sua valorização?
CONVIDADO:Nós estamos vivendo um momento muito especial, Se levarmos em conta o ciclo de vida de instituições de uma forma geral! Então, os policiais que estão hoje na ativa estão tendo o privilégio de participar desse momento especial da Polícia Penal! Poucas gerações de policiais têm a oportunidade de participar da construção desde o nascedouro - dessa etapa inicial! Normalmente, essas transformações acontecem ao longo de muitas décadas! E, nós, vivemos várias delas em um período muito curto, de maneira bem intensa! No âmbito federal, por exemplo, nós ingressamos como Agentes Penitenciários Federais, passamos a Agentes Federais de Execução Penal - buscando uma ampliação, saindo da nomenclatura simplesmente Penitenciária para buscar Execução Penal de uma forma mais abrangente - e, hoje, Policiais Penais Federais! Obviamente, isso não aconteceu somente conosco! A própria criação das polícias penais é o resultado de uma construção coletiva de profissionais do sistema penitenciário de todo o Brasil que lutaram durante muitos anos para alcançar esse reconhecimento justo, obviamente!
Nós estamos, agora, naquele momento de, por um lado, preservar o conhecimento de décadas de atividade penitenciária, mas, a partir desses conhecimentos, também construir uma nova carreira com valores, princípios, conhecimentos cada vez mais aprimorados, compatíveis com o que a gente almeja para as nossas polícias.
Por isso que essa geração tem a responsabilidade de ajudar a definir o que significa ser policial penal.
E, quantos aos avanços necessários para a valorização, eu penso que nós venhamos a conquistar um tratamento equânime com as demais polícias, tanto no campo remuneratório - extremamente importante! - mas também no reconhecimento, na relevância da atuação e principalmente o reconhecimento da entrega que a polícia penal faz à sociedade brasileira!
ANFITRIÃO:Diversos estados brasileiros passaram a utilizar práticas inspiradas no Sistema Penitenciário Federal. Quais elementos do modelo federal podem ser reproduzidos com maior potencial de sucesso pelos sistemas penitenciários estaduais?
CONVIDADO:Essa é uma pergunta bem interessante! Eu acredito muito na troca! Na troca de experiências, no acúmulo de conhecimento e que a gente consiga passar adiante! O SPF foi criado com uma missão muito específica e tem características muito singulares!
A gente trabalha com público reduzido, características, até, arquitetônicas que nos permitem algumas atuações diferenciadas.
Por outro lado, os colegas dos estados têm as mais diversas realidades e os mais diversos conhecimentos. E a gente foi presenteado com a Força Penal Nacional, porque a Força Penal Nacional está subordinada à Polícia Penal Federal e ela é formada, claro, por policiais penais federais, mas, em sua maioria, são policiais penais dos estados! Então, ao longo desse tempo de atuação, a gente foi adquirindo muito conhecimento. Os colegas foram contribuindo cada qual com a sua realidade, com o seu conhecimento, com a sua doutrina e isso foi enriquecendo muito a atuação das equipes da Força Pedal Nacional e, por consequência, a gente conseguiu ao longo desse tempo consolidar essas visões, essas experiências, essa atuação e o que a gente tenta fazer e tem feito muito, ultimamente, é fazer a devolutiva em formas de doutrina, em forma de Inteligência. E, quando eu falo doutrina: ali na área de padronização de procedimentos, de gestão de riscos, protocolos de segurança, por isso que eu acredito muito nessa troca!
A gente foi presenteado, conseguindo ter uma pluralidade de conhecimentos para tentar consolidar e, agora, a gente vai devolvendo isso, fazendo com que o sistema prisional, de uma forma geral, consiga crescer e ter uma visibilidade cada vez maior e a sua forma de atuação sempre reconhecida!
ANFITRIÃO:A Inteligência Penitenciária deixou de ser uma atividade exclusivamente reativa para assumir posição estratégica no enfrentamento ao crime organizado. Como a Polícia Penal Federal tem estruturado esse processo e qual sua importância para a proteção institucional?
CONVIDADO:É, de fato! Ao longo do tempo, foi havendo uma mudança na forma como a gente compreende a Inteligência Penitenciária. Durante muito tempo era natural até que ela estivesse muito voltada para o ambiente interno. E, claro, que isso continua sendo absolutamente importante!
A gente precisa estar voltado para o ambiente interno, principalmente para antecipar problemas, vulnerabilidades, proteger ativos institucionais - seja o servidor, a unidade, a própria missão institucional - mas, além disso, a gente precisa enxergar além dos muros - sem esquecer essa parte interna - mas, olhando também para além dos muros! A gente tem o privilégio, ali, de ter a maior fonte de informação disponível. Isso é muito rico! Então, os dados coletados nas unidades, enfim, podem ter conexão com fatos acontecendo em outros estados, em outros países, pode ter relação com investigações que estão em andamento. Então, a Inteligência Penitenciária passou a ter uma dimensão muito mais estratégica, porque, ao final, o objetivo é justamente o assessoramento à tomada de decisão.
Na Polícia Penal Federal, a gente tem procurado estruturar essa atividade, claro, com produção sistemática de conhecimento, mas, principalmente, com intercâmbio com os demais órgãos de inteligência. E isso produz resultado concreto! Ao longo da nossa história, informações que foram originadas ou desenvolvidas pela Inteligência subsidiaram e acabaram na deflagração de várias operações policiais. Então, isso tem um peso muito grande!
ANFITRIÃO:Vivemos uma verdadeira transformação tecnológica. Ferramentas de integração de dados, inteligência artificial, análise de vínculos, biometria, monitoramento inteligente, reconhecimento facial e plataformas avançadas de inteligência já fazem parte da realidade de diversas instituições. Como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pela Polícia Penal Federal e de que maneira contribuem para aumentar a segurança dos estabelecimentos, proteger os servidores e ampliar a capacidade de produção de inteligência?
CONVIDADO:O mundo está em transformação e, na área de inteligência e tecnologia não é diferente! A tecnologia está mudando a forma como a gente produz inteligência, segurança. Hoje, acaba que é o seguinte: nós temos uma capacidade maior de integrar a informação. O problema não é obter a informação! É conseguir processar. Transformar um grande volume de dados em conhecimento útil. É nesse sentido que a gente precisa incorporar as novas tecnologias! Precisa aprimorar a forma de trabalho, se transformando a cada dia, em pleno desenvolvimento, tanto a aquisição de equipamentos, aquisição de softwares para auxiliar o profissional a analisar essa quantidade absurda de dados que a gente produz! Ao final, a tecnologia não vai substituir, obviamente, o profissional. Ela vai dar mais capacidade para esse profissional atuar. Não tem como parar um segundo, porque senão a gente fica para trás!
E, como no nosso trabalho a gente nunca pode ficar para trás, então, estar sempre antenado com o que está acontecendo, seja em tecnologia - Inteligência - para a gente poder tomar melhores decisões e proteger os nossos ativos!
ANFITRIÃO:O fortalecimento das organizações criminosas exige atuação integrada entre União e Estados.
Como enxergas o papel da Polícia Penal Federal na coordenação, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico aos sistemas prisionais estaduais?
CONVIDADO:Eu vejo essa questão mais no âmbito da cooperação do que da coordenação. Eu acho que os Estados têm suas competências, suas experiências, realidades distintas, e a Polícia Penal Federal está nesse contexto para auxiliar, tanto na recepção de lideranças criminosas, para o isolamento e monitoramento dessas lideranças, mas, também para cooperar! E eu vejo a Força Penal Nacional como uma expressão maior dessa cooperação, porque ela agrega os servidores de vários estados para auxiliar um estado específico que esteja precisando naquele momento ou esteja passando por um momento difícil. É uma grande cooperação que eleva o nome da Polícia Penal como um todo!
E quando a gente fala da Polícia Penal, nós estamos falando de todos os profissionais que compõem a Polícia Penal, porque dentro da Força Penal Nacional, também, nós temos Especialistas, Técnicos que trabalham também na Força Penal Nacional! A gente consegue auxiliar dessa forma para o que nascemos para fazer, que é o isolamento das lideranças criminosas! Nascemos para fazer naquele momento! É claro que nós temos uma visão muito mais adiante de expansão para outras áreas de atuação e a Força Penal é uma dessas áreas de atuação, mas, também e principalmente, na área de Inteligência.
Hoje, nós temos representantes nas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, por intermédio da Diretoria de Inteligência Penitenciária, atuando muito forte nesse segmento e com resultados espetaculares! E quem ganha com isso é a sociedade! O nome da polícia penal é elevado, a sociedade ganha muito com isso e, a gente, ao final, acaba cumprindo a nossa missão que é trabalhar para a sociedade brasileira!
ANFITRIÃO:Diretor Marcelo Stona! Foi uma grande honra recebê-lo no Hextramuros!
Ao longo desses três episódios, percorremos a história do Sistema Penitenciário Federal, analisamos sua contribuição para o enfrentamento ao crime organizado, debatemos críticas e desafios e projetamos o futuro da Polícia Penal Federal em um contexto de crescente sofisticação das ameaças à segurança pública.
Mais do que apresentar uma instituição, esta conversa permitiu compreender como inteligência, profissionalismo, tecnologia e compromisso com o interesse público transformaram o sistema penitenciário federal em um dos pilares estratégicos da defesa do Estado brasileiro.
Repriso os meus agradecimentos pela sua disponibilidade, sua transparência e sua contribuição para este importante registro histórico.
Desejo pleno êxito na condução da Polícia Penal Federal e na permanente missão de proteger a sociedade brasileira.
Deixo este espaço para suas considerações finais!
Fraterno abraço!
CONVIDADO:Primeiramente, agradecer pelo convite, principalmente, pela oportunidade de participar desse canal, que é um veículo de comunicação que tem empregado um importante serviço para o nosso país, principalmente pela relevância e profundidade dos temas que tem abordado!
Deixar aqui meu reconhecimento aos Policiais Penais Federais, Especialistas e Técnicos!
Estender esse reconhecimento, também, aos profissionais dos sistemas penitenciários estaduais! Nosso trabalho é extremamente complexo! É necessário, mais do que tudo, vocação! Todos nós que estamos nessa batalha, nessa lida, nesse combate ao crime organizado somos vocacionados e, principalmente, temos propósito e é isso o que nos fará vencer. sempre!
Nós continuamos também construindo nossas respectivas polícias penais e que elas estejam à altura do Estado brasileiro, no que temos a responsabilidade de servir! Muito obrigado, Clark e obrigado a todos que nos acompanharam ao longo desses três episódios!
Forte abraço!
ANFITRIÃO:Honoráveis Ouvintes! Este foi mais um episódio do Hextramuros!
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